Mais de 50 das maiores minas em operação do país estão em Minas Gerais, com 698 barragens cadastradas no Banco de Dados de Barragens da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), mais de 200 barragens classificadas como de alto potencial de dano e cinco como de alto risco, pela Agência Nacional de Águas. A pergunta é: o rompimento de alguma dessas barragens poderia nos atingir? Infelizmente, sim.

Na última semana, em Pinhões, distrito de Santa Luzia, foram instaladas diversas placas com Rotas de Fuga, em caso de rompimento de barragem. Segundo alguns moradores, poucas informações foram repassadas a população, o que tem gerado certa confusão. “As pessoas estão achando que o risco que corremos é com o rompimento da barragem de Cocais, mas na verdade ela não nos afetaria. O perigo mesmo são as barragens de Ouro Preto, Nova Lima e Raposos” afirmou Jailson que mora em um local mais distante da área de risco, em Pinhões.

Em 28 de março, depois da alteração para o nível máximo de alerta das barragens de Forquilha I e Forquilha III, em Ouro Preto, as Secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente, de Santa Luzia, se reuniram com empresários que possuem empreendimentos às margens do Rio das Velhas para passar maiores informações e discutir medidas e possíveis impactos.

Conforme a Prefeitura de Santa Luzia, no caso do rompimento de alguma das barragens, os rejeitos chegariam pelo Rio das Velhas aproximadamente 11 horas após o rompimento, tempo hábil para que todas as medidas sejam tomadas garantindo a segurança de toda a população da cidade.

Ainda que os órgãos competentes estejam monitorando o risco de rompimento das barragens, o histórico de tragédias que o Estado enfrentou nos últimos anos tem colocado a população em alerta permanente, principalmente aqueles que vivem em áreas críticas.

Bento Rodrigues

No dia 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu deixando 19 mortos. A enxurrada de 43,7 milhões de metros cúbico de lama inundou várias casas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, MG. Não houve nenhum tipo de alerta, os moradores da área de risco não foram previamente informados do risco que corriam. Vidas foram perdidas e um dano ambiental que levará pelo menos 30 anos para ser sanado.

Brumadinho

Passados pouco mais de 3 anos, no dia 25 de janeiro de 2019, o rompimento Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, pertencente à Vale, na região de Brumadinho, MG, causou uma avalanche de rejeitos de minério que atingiu a área administrativa da empresa e a comunidade de Vila Ferteco. Embora o volume de rejeitos da Barragem de Brumadinho fosse menor, 11,7 milhões de metros cúbico, o número de morte foi imensamente maior: 240 corpos identificados até o momento e 30 desaparecidos.

Nos dois casos, nenhum plano de evacuação foi colocado em prática. As sirenes instaladas nas áreas de risco em Brumadinho também não foram acionadas. As medidas tomadas depois do rompimento em Mariana para evitar novas tragédias não tiveram nenhuma efetividade. Outro agravante é que Samarco e Vale são empresas do mesmo grupo, a BHP Billiton, o que leva a crer que seriam os mais prudentes para evitar o rompimento de outras barragens.

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